Ônibus híbrido com bateria elétrica e partida a diesel, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista

O gerente de projetos da Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, João Alencar Oliveira Júnior, afirmou que as metrópoles deveriam priorizar o transporte público a fim de possibilitar a melhoria da mobilidade urbana. A afirmação foi feita na última segunda-feira de fevereiro (22), durante reunião do Grupo de Trabalho Matriz Energética para o Desenvolvimento com Equidade e Responsabilidade Socioambiental do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

“É fundamental repensar nas nossas necessidades de deslocamento na cidade e nas atividades econômicas na cidade, ou seja, fazer com que as pessoas necessitem menos se deslocar e se precisarem que as distâncias sejam curtas e que possa se fazer isso a pé ou de bicicleta”, acrescentou Alencar.

Ele destacou que para melhorar a mobilidade em São Paulo é preciso investimento maciço em transporte público, e que não se pode pensar na maior cidade do país dependendo apenas de transporte individual. “Esses engarrafamentos de 130 quilômetros, a persistir essa falta de investimento público, só tendem a se agravar. Na realidade, toda e qualquer ação no sentido da melhoria das condições de transporte devem ser aprumadas no transporte público”. Alencar ressaltou que é preciso criar meios para que os cidadãos não precisem se deslocar de cidades próximas à capital para trabalhar. 

Menos combustível 

Já a conselheira do CDES, Esther Bemerguy, informou que o conselho já incluiu recomendações relacionadas ao transporte em sua carta de propostas sobre as melhorias na matriz energética do país. Uma delas é que se passe a dar maior incentivo ao transporte hidroviário, que usa menos combustível do que o transporte rodoferroviário. “Outra recomendação do conselho é a ênfase no transporte público e de preferência que seja poupador de combustível, que use cada vez menos diesel e gasolina”. 

A terceira recomendação do CDES é que as cidades sejam pensadas para pouparem energia no que diz respeito ao deslocamento. “Isso engloba a questão das pessoas morarem próximas ao trabalho, que a escola dos filhos seja próxima ao local de moradia”. 

Planejamento 

Bemerguy defendeu uma série de mudanças na organização dos municípios, com o objetivo de se criar uma cidade sustentável. “Queremos mostrar que o desenvolvimento urbano e da matriz de transporte adequado pode resultar também em forte economia e mitigação do dióxido de carbono (CO2), explicou. 

Segundo a conselheira, como as cidades já estão estruturadas de forma errada, as medidas para promover as melhorias são de médio e longo prazo. A solução para Bemerguy é que os municípios se planejem levando em consideração tal necessidade. 

O secretário de Política Nacional de Transportes do ministério dos Transportes, Marcelo Perropato, adiantou que o governo está de acordo com as recomendações do conselho e que tem dado prioridade ao tema no Plano Nacional de Logística e de Transportes organizado pelo ministério. 

“Isso significa trabalhar para expandir o setor ferroviário e hidroviário que são melhores economicamente e trazer um pouco do transporte rodoviário de longa distância para essas modalidades, o que não significa de nenhum modo tirar a prioridade do transporte rodoviário”, concluiu Perropato. 

Com informações do EcoDesenvolvimento