Mesmo com a empolgação do cortejo, as pessoas paravam para receber a lembrança e buscavam mais informações sobre a campanha.

Mesmo com a empolgação do cortejo, as pessoas paravam para receber a lembrança e buscavam mais informações sobre a campanha. A adesão pública tem amenizado a situação da ONG.

A Diretoria da ONG Paciência Viva sente-se vitoriosa em relação às parcerias realizadas com os setores de comunicação e educação e continua lutando em busca de novos compartes que garantam recursos para investimento no setor operacional da campanha “Doe o seu jornal, não custa nada, mas vale muito”. Embora a adesão pública seja cada vez maior, a meta estabelecida de 80 toneladas/mês, ainda não foi alcançada. Com esse montante de resíduo sólido coletado (papel-jornal, papel-revista e papel branco), a ONG alcançaria sua sustentabilidade e asseguraria a (re)inserção econômica e social dos catadores com a formação de uma Cooperativa de Catadores de Produtos Recicláveis, além de garantir a diminuição do impacto ambiental.

“Apesar dos parceiros de peso, das grandes marcas do cenário soteropolitano, estamos num momento muito delicado da Paciência Viva e corremos o sério risco de encerrarmos as atividades.”, lamenta Cláudio Deiró, presidente da organização. Ele diz também que o retorno do público quanto a doação de jornais e revistas tem aliviado as condições da ONG, mas não resolve. “Esperávamos recursos estaduais que não vieram e, por conta disso, muitos compromissos financeiros deixaram de ser cumpridos. Pagamento de pessoal, contas de serviços como telefone e aluguel e tantos outros, além do mais urgente: débitos já parcelados que incorrem multas e taxas, aumentando os valores.”, desabafa o presidente.

Deiró conta ainda que com a doação de 4 toneladas de jornais e revistas arrecadadas diariamente, a ONG sairia do sufoco. “E, nesse caso, esbarramos em outro problema: vendemos o único veículo próprio que tínhamos para sanar dívidas mais urgentes na esperança de chegada dos repasses. Agora, sem carro, dependemos da boa vontade e disposição de amigos para realizarmos as coletas nos postos!”, pontua.

Estratégias de convencimento

Lançada há pouco mais de três meses, a campanha “Doe seu jornal…”, vem ganhando fôlego, mas ainda não é suficiente. Ainda essa semana uma doação de jornais realizada por um partido político, deixou a Paciência próximo do ideal: quase 1 tonelada de material entregue à sede. “Foi a maior arrecadação do dia, aquele dia e, na história do projeto”, conta o presidente.

Na semana em que se comemorou o Dia do Senhor do Bonfim, Cláudio Deiró saiu pessoalmente pelo cortejo distribuindo suas ecolembrancinhas típicas. As chamadas fitinhas com dizeres ecológicos. “Nada mais tradicional que distribuir fitinhas no Dia do Senhor do Bonfim. A ideia era básica: Você curtiria a festa e, no dia seguinte, perceberia a fitinha presa no seu pulso, entraria no site ou telefonaria para nossa sede”. Ele acredita que qualquer tipo de esforço é válido para não deixar morrer quase uma década de trabalho árduo e, mais ainda, não deixar morrer uma ideia inédita na Bahia e de solução fácil e inteligente, como o descarte apropriado de jornais.

“Uma das preocupações é que com o início das aulas agora a arrecadação tende a aumentar porque já havíamos feito contatos e promovido atividades sócio ambientais nas escolas. Deixamos a coleta de resíduos para esse período e agora nem temos como guardar nas próprias instituições, tampouco temos como buscar”, afirma Cláudio. Segundo ele, cada caixa coletora custa em média R$ 500,00 (quinhentos reais) e as que se encontram nos Shoppings Salvador e Piedade precisam ser substituídas com urgência.

Ainda de acordo com o presidente, um dos recursos estaduais deve ser pago no próximo mês. “Estamos contando com esse pagamento para a compra de um outro veículo, pelo menos. Dessa forma não perdemos a credibilidade do público em relação à campanha”, desabafa Cláudio Deiró.