Foto: André Deak

Foto: André Deak

O CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem – organização não governamental que incentiva a reciclagem no Brasil, criou um comitê de trabalho especialmente voltado para acompanhar as discussões sobre a reciclagem de eletroeletrônicos no país. O Comitê é integrado por empresas do setor, fabricantes ou varejistas, associados ao Cempre, como a Intel, a HP, a Dell, a Phillips, o Wal Mart, Carrefour e o Pão de Açúcar. O foco do grupo é debater os avanços e principais entraves da reciclagem da categoria e trabalhar em parceira com autoridades governamentais para inserir a questão de forma sustentável na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A criação de um comitê para discutir separadamente o reaproveitamento dos eletroeletrônicos é justificada pelas particularidades que a linha apresenta. “A reciclagem destes materiais envolve, por exemplo, uma tecnologia muito mais complexa e cara do que aquela usada para as embalagens, a relação dos consumidores com este tipo de produto também é diferente; e ainda há um enorme mercado informal que comercializa produtos montados e alimenta o descarte irresponsável dos eletroeletrônicos e das peças”, diz André Vilhena, diretor executivo do CEMPRE. Segundo ele, este é o primeiro comitê específico para uma linha de produtos que a ong estabelece.

O Comitê defende o conceito da responsabilidade compartilhada entre sociedade, governo e indústria para a reciclagem dos eletroeletrônicos, o que implicaria em incentivos fiscais, fiscalização rigorosa para combater a pirataria, e a definição de diretrizes nacionais, e não regionais, para a reciclagem dos produtos. “Estabelecer metas regionais para a coleta e reciclagem dos eletroeletrônicos não leva em conta a distribuição dos produtos. Outros pontos a serem considerados é a relação que os consumidores constroem com os eletroeletrônicos e também o fato de que o que é considerado velho para um pode não ser para o outro. “Muitos não querem se desfazer dos produtos, mesmo que já estejam obsoletos. Outros preferem doar suas TVs ou computadores antigos a enviá-los para a reciclagem”, diz André Vilhena.

Estabelecer quando o produto já passou do tempo de vida útil e virou resíduo é uma questão que precisa ser melhor definida inclusive para regular o transporte dos produtos destinados à reciclagem. “Senão o caminhão que transporta o eletroeletrônico para a reciclagem pode ser parado pela fiscalização, se ela entender que os produtos ali ainda estão em plena condições de uso”, explica Vilhena.

Segundo o Comitê, cerca de 30% do mercado eletroeletrônico no Brasil é informal. A redução da carga tributária que incide sobre o setor poderia trazer este mercado para a formalidade, gerando empregos. Conceder benefícios fiscais às empresas que realizam a logística reversa seria uma forma de incentivar a indústria da reciclagem no setor e potencializar ganhos registrados com a Lei do Bem, de 2005, que prevê incentivos fiscais a empresas que desenvolvem inovações tecnológicas. Segundo o Comitê, com uma maior formalização em apenas dois anos cerca de 5 mil empregos diretos poderiam ser criados no mercado dos eletroeletrônicos.

Fonte: CEMPRE