Mesmo com pouco dinheiro no bolso é possível mudar os hábitos alimentares para melhor. Essa foi a lição deixada por professoras e alunos da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia aos integrantes da ONG Paciência Viva durante avaliação nutricional promovida gratuitamente pelas duas instituições.

“Se a pessoa tem acesso limitado a alimentação variada e em quantidade, há alternativas para um aproveitamento mais qualitativo”, orienta a professora Marijara Vilas Boas. Segundo ela, a mudança aparenta ser difícil porque os alimentos mais nutritivos dão mais trabalho de fazer e, no pique diário, muitas pessoas optam pelo imediatismo dos industrializados, ricos em sal, gordura e açúcar.

“Dentro dos grupos alimentares, os vegetais são a opção saudável mais barata. Sucos de fruta, saladas e sopas de legumes e verduras feitos na hora são boas fontes de vitaminas e minerais”, indica. Dos outros grupos, Marijara recomenda leite e feijão, pelos teores de proteína e ferro respectivamente, e músculo, carne das mais acessíveis, além de ser pobre em gordura e rica em proteína de boa qualidade. “A proteína é indispensável para montar a reserva muscular. Queijo e soja são ótimas fontes protéicas, sendo esta última uma fonte alimentar de baixo custo e bom rendimento”, explica.

Atletas e catadores beneficiados

Coordenada pela professora Lílian Sampaio, a avaliação foi dividida em duas etapas: diagnóstico onde foram tiradas as medidas antropométricas (peso, massa muscular, percentual de gordura, altura) e orientação nutricional com base na investigação dos hábitos alimentares. Ao todo foram avaliados 19 adultos e 48 adolescentes, integrantes dos projetos Ação Reciclar (coleta seletiva) e Futebol & Cidadania Viva (futebol de areia) desenvolvidos pela ONG no Rio Vermelho. Além dos 45 alunos do 6º semestre, participaram da avaliação as professoras Ethiane Sampaio e Ingrid Fidelis.

A maioria dos resultados apresentou desnutrição, perda excessiva de massa muscular, obesidade e sobrepeso, sendo cada integrante orientado individualmente. A parceria entre a UFBA e a Paciência Viva inclui ainda o acompanhamento de todos os integrantes avaliados. Eles serão atendidos ao longo do ano no Anexo Professor José Francisco Magalhães Neto, do Hospital das Clínicas, com prioridade para os casos graves.

Em razão da carência nutricional da maioria dos integrantes da ONG, evidenciada nesta avaliação, a diretoria da ONG está tentando viabilizar ainda este ano um programa nutricional para os agentes de coleta e atletas, através de doações do comércio do Rio Vermelho, empresas do ramo alimentício e programas sociais do Governo do Estado e Prefeitura Municipal.

“A família Paciência Viva agradece a todos os alunos e professores que participaram deste trabalho. Não mediremos esforços para dar continuidade a esta parceria com a Escola de Nutrição. O resultado maior foi a aula de cidadania que todos tiveram. Sempre será possível melhorar a vida das pessoas com informação e conhecimento”, destacou o diretor-superintendente da ONG, Cláudio Deiró.