Verônica Costa dos Santos, de 24 anos, é uma das alunas do curso de edição digital promovido pela ONG Paciência Viva e o Instituto Afrânio Peixoto (IAAF). Moradora da comunidade da Vasco da Gama e agente de coleta do Ação Reciclar, outro projeto da Paciência Viva, ela afirma que não teria condições financeiras para pagar um curso como este, cujo custo varia de R$ 400 a R$ 900.

Com uma jornada de trabalho de seis horas diárias, Verônica ainda tem disposição para as aulas, que acontecem de segunda a sexta, das 19 às 22 horas. O tempo da agente de coleta ainda vem sendo dividido com vivências práticas e estágios decorrentes da sua participação no curso. Verônica já trabalhou por uma semana na ilha de edição da Malagueta, conceituada produtora de cinema e vídeo, sediada no Costa Azul.

“O curso oferece um aprendizado diferente. Aprendi a recortar, criar e analisar imagens com um senso crítico mais apurado. Estou confiante para enfrentar o mercado de trabalho e estas vivências em produtoras estão sendo importantes para meu currículo. O apoio que recebo através dos professores e da diretoria da ONG aumenta a minha força de vontade para concluir o curso”, avalia Verônica.

Força de vontade também não falta ao jovem Diego Santos Teixeira. Desempregado desde que concluiu o ensino médio, ele espera, com a capacitação no curso e com a vivência prática que está fazendo na produtora Vídeo Close, uma oportunidade para conseguir seu primeiro emprego. “Com o que já aprendi, me sinto preparado para começar a trabalhar. O apoio que recebo de toda equipe é fundamental para continuar a minha busca”, diz Diego.

Formação de editores

“O curso termina em maio e acredito que vamos formar bons editores, porque nossos alunos têm facilidade em lidar com a linguagem específica do programa. Já começamos a encaminhá-los para vivências e estágios em produtoras de vídeo e emissoras de televisão. Desta forma, eles poderão por em prática o conteúdo estudado”, informa Jocivaldo Almeida, professor do Imagem Viva. Outra avaliação positiva vem do monitor Ivan Seixas. Para ele, “os alunos são esforçados e isso faz com que superem as dificuldades”, diz. Ivan percebe nesta iniciativa da ONG uma possibilidade de inclusão social para estes alunos, todos oriundos de famílias carentes.

Inserir profissionais capacitados no mercado de vídeo de Salvador. Esta é a missão do Projeto Imagem Viva, curso gratuito para formação de editores de vídeo digital. O Instituto Afrânio Affonso Ferreira (IAAF) destinou aproximadamente R$ 40 mil para aquisição de equipamentos (computadores, câmeras, projetor e telão), material didático e remuneração dos instrutores. A parceria, com proposta de inclusão social, tem dado certo.

Talentos à espera de oportunidade

Para o presidente do IAAF, Carlos Eduardo Affonso Ferreira, a parceria foi firmada porque o Instituto acredita no compromisso da ONG Paciência Viva com a causa comunitária. “Sabemos que o mercado da produção de vídeo é amplo e desponta, hoje, como uma oportunidade de promoção para o Terceiro Setor. Notamos que a Bahia tem muito talento artístico à espera de oportunidade, por isso nos tornamos parceiros neste projeto”, explica o presidente do IAAF.

Iniciado em novembro de 2005, o projeto beneficia dez jovens oriundos de famílias de baixa renda, que foram selecionados com base no conhecimento mínimo de informática e no interesse em se profissionalizar nesta área. O curso tem carga de 400 horas de aula, ministradas ao longo de seis meses, oferecendo gratuitamente condições de os alunos aprenderem com desenvoltura a aplicar programas de edição de imagem dentre os mais utilizados no mercado de trabalho: Pinnacle Studio 9, Encore DVD, Adobe Premiére Pro, Adobe Premiére 6.5, Adobe Photoshop e Adobe After Effects, Adobe Illustrator.

Reportagem: Conceição Ferreira