Mesmo convidada tardiamente pela Federação Baiana de Beach Soccer, com apenas um mês de antecedência, a ONG Paciência Viva fez uma campanha surpreendente na etapa de Salvador do Circuito Banco Popular de Beach Soccer. O pouco tempo a favor e falta de boas condições para treinamento não foram obstáculos para as quatro categorias inscritas comprovarem na areia que a Paciência Viva é uma força do beach soccer na Bahia.

Os times do Sub15, Sub17 e Sub20, estreantes em torneios oficiais, colocaram a medalha de terceiro lugar no peito com “muito orgulho e muito amor”, um agradecimento ao trabalho social realizado pela ONG Paciência Viva no bairro do Rio Vermelho, onde mora a maioria dos atletas.

Os jovens encerraram a participação no torneio convictos de terem praticado um futebol de alto nível e aplicado todos os fundamentos aprendidos na oficina desenvolvida pela ONG na Praia da Paciência Viva, sob a coordenação dos instrutores Roberto Jesus da Rosa (Beto Negão) e Alexandro de Souza.

Na manhã de ontem (dia 8), o Sub15 da Paciência Viva venceu nos pênaltis o Planeta Gol, depois de empate em 5 a 5 nos três períodos normais e na prorrogação. O destaque da equipe foi o pivô Ítalo Macambyra, que converteu pênalti da vitória e despertou o interesse de olheiros de clubes de futebol de campo que acompanharam as semifinais e finais.

O sub17 mostrou a garra que não esteve tão presente na semifinal e faturou a terceira colocação ao vencer por 2 a 1 o Independente Social. Os gols da vitória foram do pivô Sidnei e do ala Nei.

Invicto na fase classificatória, o sub20 esteve irreconhecível na semifinal e perdeu a chance de disputar o título. Porém, ontem, contra o Colégio Monsenhor Manuel Barbosa, a equipe aplicou a marcação “grudado que nem piolho” e restabeleceu o equilíbrio emocional essencial a uma partida de futebol de areia, pois muita vezes ela é decidida nos últimos instantes. Depois do empate de 3 a 3 no tempo normal, o ala Emerson marcou na prorrogação o gol que valeu a tão sonhada medalha, que não foi de ouro, mas foi um bronze que aponta um futuro promissor para esses jovens atletas.

Vice no masculino aberto

O adversário batido na fase classificatória se tornou o algoz da final. Assim foi o enredo da Paciência Viva na categoria masculino aberto. Com uma campanha irrepreensível (quatro jogos, quatro vitórias) até a semifinal, o time adulto não suportou a qualidade técnica, o entrosamento e o bom preparo físico do Popó Fitness, time base da seleção baiana de beach soccer.

O gol de bicicleta do ala Andrezinho, aumentando o placar para 2 a 0, era um indício de que o Popó Fitness estava numa noite mais inspirada. A Paciência Viva chegou a reagir para 3 a 1 e depois para 4 a 2, mas restavam poucos minutos e o empate ficou difícil ante a boa marcação do adversário.

O título de campeão da etapa baiano credenciou o Popó Fitness para a disputa do título do Nordeste, na mesma arena montada na Praia de Armação, contra os campeões das outras etapas do circuito realizadas em Natal (RN), Aracaju (SE) e São Luís (MA).

O desempenho do grupo deixou satisfeito o técnico do Sub20 e diretor da ONG Paciência Viva, Cláudio Deiró. “Além de talento e raça, mostramos ao público como deve ser jogado o futebol de areia, aplicando seus fundamentos específicos. Todos os nossos atletas voltaram para casa com medalha no peito e essa excelente campanha mostra o potencial da oficina que desenvolvemos na Praia da Paciência, com enfoque não somente na revelação de atletas, mas, antes de tudo, na formação de cidadãos. Nossa participação no torneio deve-se muito também ao apoio das empresas Tempo É Arte, Indaiá, Extractum e do Colégio Anglo-Brasileiro, que já é nosso parceiro no Projeto Futebol & Cidadania Viva. Sem esse apoio seria muito mais difícil acrescentarmos essas medalhas na nossa coleção. Muito obrigado”, avalia Deiró.